"A liberdade jamais e dada pelo opressor, ela tem que ser conquistada pelo oprimido"

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

EM MEMÓRIA DE MINHA MÃE

Nasci-te (Manuela Amaral)

No meu ventre de mulher cresceu teu feto
e foi a minha boca que te deu palavras 
e silêncios para tu gritares 
Dos meus braços multipliquei teus braços 
e dei distâncias para tu voares 
Dei-te tempos-de-nada 
medidos de coragem 
E foste. E és.


sábado, 7 de maio de 2011

Feliz dia das mães!

Sinto um desejo angustiante de descansar minha cabeça em teu colo, como eu fazia quando estavas conosco, momento em que passavas a mão pelos meus cabelos e falavas coisas que só as mães sabem falar, palavras que só saem da boca das mães, pois só as mães sabem dizer coisas que fazem um filho se sentir o ser mais importante do mundo.
O teu colo tinha o poder de fazer os meus problemas se tornarem quase microscópicos, pelo menos por alguns momentos, mas o suficiente para eu me refazer e enfrentá-los.
Também sinto falta de velar o teu sono, de ficar contigo nos momentos em que estavas fragilizada, de deitar ao teu lado e dormir com tua cabeça apoiada em meu braço, de fazer-te sentir que estavas amparada. A verdade é que eu me amparava em ti, também, e desse amparo mutuo tirávamos forças para enfrentarmos nossos medos.
Tenho saudades até de nossas brigas, dos momentos de atritos, meramente teatrais, dos quais eu sabia que um dia lembraria saudoso.
Pulsa em meu coração uma dor aguda. Dor que vem da vontade, que não poderá mais ser satisfeita, de ver o teu sorriso tímido e envergonhado, de acariciar o teu rosto quase que a contar as tuas rugas, essas marcas que a vida deixou em ti e que eu achava lindas, pois cada uma delas trazia impressa um pouco da tua história. A história de uma mulher que, apesar da figura aparentemente frágil, tinha muita força.  A tua força, a tua dignidade e a tua dedicação à nós, teus filhos e filhas, sempre foram para mim motivos de orgulho.
Foste muito mais que mãe! Foste amiga, confidente, conselheira, cúmplice e, foste também, um pouco minha filha.
A nossa relação algumas vezes parecia um drama e outras vezes uma comédia.
Na verdade ao lembrar desses momentos, em que eu me encontrava no papel de filho e pai simultaneamente, pego-me sorrindo e chorando ao mesmo tempo.
Só a tua ausência me acompanha agora. Ela deixa claro, para que eu nunca esqueça, o quanto foste importante em nossas vidas, o muito de ti que está vivo em mim e nos meus irmãos e irmãs.
Sem a tua presença a minha vida ficou muito triste, é difícil aceitar a idéia de que não estás mais aqui. Porém todos temos a certeza que cumpriste o teu papel de ser humano, mulher, esposa e mãe com total dedicação.
Foste tão comprometida conosco que só nos deixaste depois que eu, teu filho mais novo, já estava com esposa e filho. Tenho certeza que não quiseste me abandonar antes, que fincaste o pé e pediste a Deus para ficar mais um pouco. Eras teimosa e persistente e tenho certeza que Deus quis dar-te este presente.
Apesar de estar com quarenta anos, ter esposa e filho, sem ti eu me sinto um menino órfão.
Este será o primeiro dia das mães em que eu não poderei dar-te um beijo no rosto e dizer-te:
-Feliz dia das mães!


sábado, 9 de abril de 2011

A benção minha velhinha!

Quando eu era criança muitas vezes acordava no meio da noite em pânico, levantava e ia olhar minha mãe, ficava observando e só me acalmava quando via o movimento de sua respiração. Não sei se isso acontece com outros filhos, mas freqüentemente tinha pesadelos em que ela morria, e então eu acordava chorando. Quando constatava que ela estava ali, dormindo, sã e salva, me dava um alívio, uma sensação de felicidade.
Há exatamente um mês o meu pior pesadelo tornou-se realidade. Acordei e fui verificar a respiração dela, mas não havia mais respiração. A vida deixou o seu corpo durante o sono.
Não posso me queixar da vida e nem da morte. Elas concederam-me bastante tempo para que pudesse me despedir e aproveitar ao máximo a companhia da pessoa mais importante e mais querida para mim.
A insuficiência cardíaca congestiva, doença que a levou, foi aos poucos paralisando seu coração que foi perdendo as forças. Durante seis anos conseguimos controlar os sintomas com o uso de vários medicamentos. Foram muitos sustos, idas e vindas de hospitais onde ela ficava internada até que se controlasse a crise, noites de sono em que eu ficava segurando sua mão, fazendo massagem em suas costa e dizendo que tudo ia ficar bem, assim como ela fazia comigo quando eu era criança e adoecia.
Felizmente, apesar das várias crises que teve por conta da doença, na maior parte do tempo ela estava bem, levava uma vida tranqüila.
Apesar de eu racionalizar, o meu coração dói muito. Mesmo sabendo que todos teremos de ir e que ela foi de forma tranqüila, sem sofrimento, o fato é que é muito difícil separar-se de alguém que se ama tanto.
Eu não sei, ao certo, quando foi que eu deixei se ser seu filho para ser seu pai. Os papeis se inverteram e quando me dei conta estava lhe dando comida na boca, escovando seus dentes, dando banho (perdemos a vergonha um do outro), pois nem sempre havia uma mulher em casa para fazer determinadas coisas que um filho fica com vergonha de fazer.
Essa convivência com ela foi o que ficou de mais precioso para mim, mas também é o que me causa mais dor. Lembro dela vinte e quatro horas por dia, a vejo em todo lugar, ouço a sua voz me chamando.
Quando saio para o trabalho sinto falta de pedir-lhe a benção, momento em que ela segurava a minha mão e perguntava que horas eu voltaria, se eu iria jantar no serviço, para só depois beijar a minha mão e me abençoar.
Quando chego em casa me dá um vazio, pois ela não está ali para eu beijar e abraçar.
Na hora de dormir fica a falta dela perguntando se eu havia trancado as portas, se não tinha louça na pia.
Talvez para sentir-me um pouco mais perto dela, antes de dormir, depois de abençoar o meu filho e beijar a minha mulher, eu ainda falo:
-A benção minha velhinha!
Sei que com o tempo a dor da saudade vai diminuir, mas sei também que eu nunca mais serei plenamente feliz, pois o vazio que ela deixou nunca será preenchido.
Quando planejo fazer algo que não poderia fazer quando ela estava viva, pois tinha que cuidar dela, o meu coração aperta e eu perco o animo, mais sei que a vida tem que continuar e eu tenho que pensar no meu filho.
Se eu for para o meu filho dez por cento do que a minha mãe foi para mim, tenho certeza que serei um excelente pai.