Quando eu ainda era uma criança e não sabia escrever, fazia em páginas de cadernos rabiscos sem sentido, tentava imitar os movimentos feitos pelas mãos das pessoas que eu via escrevendo. Interessei-me pela leitura e fui alfabetizado muito rapidamente, tamanha era a minha vontade de saber. Queria ler as revistas em quadrinhos e finalmente consegui.
Numa noite quando toda a família estava reunida na sala em frente ao televisor. Até hoje não esqueço a novela que estava no ar naquela época: "Duas Vidas" na Rede Globo. Durante o intervalo comercial quando era, e acho que ainda é, veiculada uma chamada para doadores de sangue. Foi ali , diante de minha família surpresa e orgulhosa, que eu li em voz alta: "Precisa-se com urgência de sangue tipo 'O' positivo. Doadores dirijam-se ao banco de sangue do Pronto Socorro Municipal".
Que felicidade eu senti naquele momento, vendo minha mãe orgulhosa do progresso do filho, olhando a cara dos meus irmãos surpresos com o meu feito. Dali em diante foi só desenvolver a leitura e a escrita. Porém, ficava inseguro na hora de escrever para a apreciação de terceiros, tinha medo de equivocar-me com a gramática e escrever de forma errada. Sempre fui muito exigente comigo mesmo, e justamente por isso tinha receio de desenvolver determinado tema em uma redação e ele ficasse medíocre.
Hoje descobri que o meu grande erro foi ter medo de errar. Fiz alguns textos e nunca os mostrei a ninguém, mas agora, graças a essa maravilhosa ferramenta que é a internet e ao incentivo de amigos, eu vou exorcizar os meus medos e escrever tudo (ou quase tudo) o que eu quiser e da forma que eu quiser. Escreverei não para as outras pessoas e sim para mim mesmo. Se as outras pessoas gostarem, ótimo! E se não gostarem, sinto muito! De escrever eu não paro mais.
